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Busca de vida inteligente fora da Terra não encontra nenhum candidato em levantamento de mais de mil estrelas

Por Eduardo A. Sato

A Breakthrough Listen (BL) é uma iniciativa coordenada pela Universidade de Berkeley que busca sinais de vida inteligente extraterrestre através de ondas de rádio.  Em junho de 2019, publicaram o resultado dos três primeiros anos do projeto, onde analisaram 1702 estrelas próximas e não detectaram nenhum candidato a sinal de vida inteligente. A iniciativa tem previsão de funcionar por dez anos.

 

Buscas por vida fora da Terra é algo que motiva astrônomos a muito tempo. Uma frase famosa, geralmente atribuída a Carl Sagan (astrônomo e divulgador de ciências estadunidense) diz: “O universo é um lugar bem grande. Se não existe vida fora da Terra, então é um terrível desperdício de espaço”.

 

Entre as buscas pelos mais variados estágios da vida está a busca por vida inteligente, conhecida como SETI (do inglês, Search for Extraterrestrial Intelligence), que foca na busca de civilizações que dominem comunicação por ondas de rádio. Para tanto, a BL utiliza dados de dois telescópios: O Green Bank Radio Telescope, localizado nos Estados Unidos e o Parkes Radio Telescope, na Austrália.

 

Civilizações inteligentes são classificadas através da escala de Kardashev, que possui três níveis de acordo com o uso de energia: 

  • Tipo I - Consomem energia equivalente à recebida na Terra pelo Sol (10^16 Watts).

  • Tipo II - Conseguem utilizar toda a energia de sua estrela, tendo disponível algo próximo a toda energia produzida no Sol (10^26 Watts).

  • Tipo III - Usam toda a energia produzida por sua galáxia, dispondo de uma energia equivalente a da Via Láctea (10^36 Watts).


Considerando a civilização humana, que consome cerca de 10^12 Watts de energia, ainda não somos uma civilização de Kardashev tipo I. Se tivéssemos um escala contínua, onde os valores 1,2 e 3 representassem os tipos propostos por Kardashev, seríamos uma população com pontuação 0,7.

O resultado publicado em artigo pela BL descarta que existam civilizações de Kardashev do tipo I (e consequentemente dos demais tipos), nos planetas e luas das 1702 estrelas estudadas. Além disso, dados de 1327 dessas estrelas estão em domínio público e podem ser acessados e estudados por qualquer pessoa, dando a possibilidade de checagem das análise e desenvolvimento de novas técnicas para procurar sinais de comunicação.

 

Caso você queira colaborar com a busca por vida inteligente, mas não possua o conhecimento técnico necessário, existe um projeto chamado SETI@HOME, onde usuários comuns emprestam um tempo de seus computadores para fazer cálculos que analisam os dados dos telescópios. Para tanto, basta baixar um programa que funciona como protetor de tela;  Quando o protetor de tela está ativo, alguns dados são baixados no seu computador e contas para analisar estes dados são feitas. Se você precisar utilizar seu computador, basta mover o mouse, desativando o protetor de tela e parando os cálculos. 

 

Isto ajuda em muito os cientistas pois os telescópios produzem quantidades imensas de dados, que mesmo com supercomputadores são difíceis de analisar! Quem sabe seu computador não ajuda a descobrir uma civilização inteligente em algum lugar do espaço? E enquanto não encontramos nossos vizinhos intergaláticos, podemos apenas usar nossa imaginação… Quem sabe?

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