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Sirius, o mais moderno acelerador síncrotron da América Latina produz imagens do Coronavírus.  

Por Eduardo Sato

Imagem do Sars-CoV-2, vírus que causa a Covid-19. Foto: CNPEM/Divulgação

 

    O Sirius, que atualmente é o maior empreendimento científico brasileiro, localizado em Campinas-SP, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) com um investimento de 1,8 bilhões de reais, acaba de produzir seus primeiros resultados. O experimento divulgado no dia 11 de Julho produziu radiografias de uma proteína que faz parte do mecanismo de replicação do novo coronavírus dentro de um organismo infectado, podendo auxiliar na produção de medicamentos que impeçam a infecção.

 

    Fontes de luz síncrotron são como máquinas de raios-x extremamente sofisticadas, com elas é possível produzir um feixe de luz bastante colimado (30 vezes menor que um fio de cabelo no caso do Sirius!) e altíssimo brilho que podem ser usados para analisar a estrutura atômica de diversos materiais. Para tanto, são construídos imensos aceleradores de elétrons que ao serem desviados por campos magnéticos produzem a radiação síncrotron que é utilizada nestes laboratórios. Assim, é possível construir várias “linhas de luz” no mesmo acelerador, onde são conduzidos os experimentos.

Imagem do Sirius em Campinas-SP, cada uma das construções tangentes ao acelerador central são linhas de luz onde experimentos são conduzidos. Foto: CNPEM/Divulgação
fonte: Imagem do Sars-CoV-2, vírus que causa a Covid-19. Foto: CNPEM/Divulgação

Na primeira fase de funcionamento, o Sirius prevê 13 linhas de luz com características diferentes para as mais diversas aplicações. O funcionamento de duas dessas linhas foram priorizadas pois estas podem ajudar nas pesquisas sobre o novo coronavírus, são elas as linhas Manacá e Cateretê.

 

A linha Cateretê será voltada para técnicas de espalhamento de raios X, com a qual serão produzidas imagens de células de maneira única no mundo. Espera-se que seja possível ver todos os processos biológicos que ocorrem em uma célula, o que pode ajudar imensamente as investigações relacionadas a Covid-19.

 

Já a linha Manacá foi a linha usada para as imagens divulgadas e é especializada em cristalografia de proteínas, técnica bastante útil na produção de novos fármacos.

 

O CNPEM já está recebendo propostas de cientistas interessados em usar a infraestrutura do Sirius para realizar pesquisas relacionadas a Covid-19 que serão julgadas por uma comissão interna do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron  dando preferências a pesquisadores que já tenham familiaridade com experimentos que possam avançar o nosso entendimento deste novo vírus.

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