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  • Eduardo Sato

SneakerNet o método de transferência de dados mais antigo da computação

O que é mais rápido: baixar um arquivo da internet ou pedir para um amigo gravá-lo em um pendrive e levar até você? Esta pergunta pode parecer estranha em um tempo onde a internet avançou tanto e banda larga se popularizou, mas era uma prática comum nos primórdios da internet e ainda pode ser vantajosa caso a quantidade de dados a ser transferida seja muito grande, como o caso de um servidor de uma empresa.




    Transferir dados através do transporte de discos físicos é conhecido como “SneakerNet”, um trocadilho que junta as palavras “sneaker” (do inglês, tênis) e “internet”. A SneakerNet é extremamente útil quando o arquivo necessário é muito grande e só faz sentido trabalhar com o arquivo completo, mas para entender isto precisamos de dois conceitos: Largura de banda e latência.

    A largura de banda indica qual a velocidade de transferência de dados, é um conceito importante não somente para a internet mas para qualquer sistema que necessite de envio de informações, como a comunicação com missões espaciais. A unidade de medida da largura de banda é “bits por segundo”, para termos alguns valores de comparação, a internet discada tipicamente tinha uma velocidade 56 kbps, isto é, 56.000 bits por segundo; Já a média de largura de banda no Brasil no ano de 2018, segundo a Anatel, foi de 24,62 Mbps.

A latência é a diferença de tempo entre o início de um evento e o momento em que seus efeitos são perceptíveis, isto é, desde o início da transferência de dados até a informação da transferência chegar ao receptor. Geralmente é medida em milissegundos e é importante para aplicações em tempo real, como o controle remoto de aparelhos e a famosa “Internet das Coisas”.

Vamos considerar o seguinte experimento mental: Você precisa transferir uma quantidade enorme de dados de um experimento entre a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Campinas (UNICAMP) que estão em cidades diferentes a mais de 100 km de distância. Uma opção é enviar os arquivos pela internet, outra é levar os dados pessoalmente. Será que a internet é sempre mais vantajosa?


Para colocar alguns números, vamos considerar uma transferência de um petabyte de dados (10^15 bytes). Esse arquivo pode ser distribuído em 1000 discos rígidos de 1 Tb, colocado em um carro e levado fisicamente, qual seria a largura de banda? Considerando que a viagem leva aproximadamente 1h30min, teríamos uma transferência de 185 Gbps, isto é 25% da velocidade total disponível na rede Ipê que é uma rede de internet exclusiva para fins acadêmicos que conecta universidades e centros de pesquisa no Brasil e possui uma capacidade agregada de 78 Gbps.

Qual a desvantagem? A latência, pois no caso da nossa SneakerNet ela é de 1h30min, isto é, você só poderá começar a usar os dados quando receber os discos, já no caso da internet, se a transferência for feita de um jeito inteligente a parte já transferida dos dados pode ser usada enquanto o resto deles é transferido.

Este cálculo mostra o incrível poder da largura de banda da SneakerNet que mesmo sendo uma técnica antiga, possui aplicabilidade em alguns problemas bastante contemporâneos. Será que a solução de outros problemas encontrados pelos cientistas não estão em técnicas já existentes e até mesmo por vezes esquecidas ou subestimadas?

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