• Eduardo Sato

Irene Curie, uma grande química


Foto em preto e branco com três pessoas, da esquerda para direita, um senhor de cabelo curto, barba e roupas sociais; no meio uma menina pequena com olhar curioso e um vestido e na direita uma mulher com cabelos até o ombro levemente arrepiados e um vestido.
Figura: Família Curie, na ordem Pierre, Irène e Marie. Todos foram grandes cientistas com grandes contribuições para a Química e Física.

Cientistas estão sempre trabalhando duro para justificar o investimento em suas pesquisas, mas nunca sabem quando uma grande descoberta será feita. Podem demorar anos até que uma pesquisa científica renda frutos, o que gera grande pressão sobre estes profissionais. Se isto já é difícil, imagine se você viesse de uma família de cientistas reconhecidos por suas grandes contribuições à ciência? Este é o caso de Irène Curie, química e filha de Pierre e Marie Curie, que por diversas vezes esteve na iminência de descobertas incríveis, até finalmente ganhar o prêmio Nobel de 1935. Conheça um pouco dessa história!


Irène teve uma educação privilegiada. Marie Curie não gostava do sistema escolar de onde vivia, então convenceu colegas de trabalho a participarem de uma cooperativa de ensino para educar seus filhos. Desde cedo, Irène esteve sobre a tutoria de diversos cientistas importantes, como a própria Marie, Paul Langevin e Jean Perrin.


Juntamente com seu parceiro de laboratório e marido, o engenheiro químico Frédéric Joliot, Irène fez importantes pesquisas nas áreas de Química e Física. Na década de 1930, diversos avanços aconteciam; Bothe e Becker descobriram que alguns elementos bombardeados por partículas alfa liberam radiação neutra que atravessava 10 cm de chumbo.


Irène e Frédéric conseguiram aprimorar o experimento e detectaram diversas novas propriedades do fenômeno de Bothe-Becker. Porém não conseguiram interpretar seus resultados. Inspirados no paper publicado pelos Joliot-Curie, Chadwick e Webster correram para testar o resultado e mostraram a interpretação correta. Este resultado é reconhecido como a descoberta do Nêutron!


Em 1932, eles estavam pesquisando raios cósmicos nos alpes suíços. Achando que suas pesquisas não estavam levando a nada, Frédéric mandou uma carta para a mãe dizendo: "Estamos trabalhando duro aqui, e quando o tempo está bom, vamos esquiar nas geleiras". Na mesma época, Carl Anderson fazia pesquisas similares e observou e identificou o pósitron, a primeira anti-partícula descoberta na história! Porém, olhando os dados de Irène e Frédéric, o pósitron já havia aparecido em uma de suas fotografias e eles deixaram a descoberta passar!


Somente em 1934 eles conseguiram fazer uma descoberta que podiam chamar de sua. Fazendo experimentos com polônio, conseguiram criar um novo elemento radioativo, um isótopo de fósforo, conhecido como fósforo-30, que emitia pósitrons. Esta descoberta, um procedimento artificial para criação de elementos radioativos, deu a eles o Nobel de Química de 1935!


Irène deixou um legado científico formidável, a pressão de carregar o sobrenome Curie não a abalou e suas descobertas não deixam nada a desejar comparados aos seus pais. E você conhecia o trabalho desta formidável cientista?


Referência e Saiba mais:


[1] Rayner-Canham, M. F., & Rayner-Canham, G. (1997). Devotion to Their Science: Pioneer Women of Radioactivity. McGill-Queen's Press-MQUP.


[2] The Nobel Prize in Chemistry 1935. NobelPrize.org. Nobel Media AB 2021. Tue. 19 Jan 2021. <https://www.nobelprize.org/prizes/chemistry/1935/summary/>


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