• Eduardo Sato

Pesquisadores encontram possível novo supercondutor a altas temperaturas


Imagem do grafite pirolítico altamente orientado feita em microscópio de tunelamento. Foto: Wikimedia Commons

Supercondutores são materiais que não apresentam resistência elétrica, podendo transportar correntes sem dissipar energia. Mas apesar de parecer um material com grande aplicação tecnológica, a maioria só funciona em condições muito específicas, como em baixíssimas temperaturas e altas pressões. Mas pesquisadores da Unicamp aparentam ter encontrado um material que se comporta como supercondutor até uma temperatura de 27°C.


Supercondutores já possuem algumas aplicações bastante famosas como em máquinas de ressonância magnética e trens de levitação, mas poderíamos aproveitar muito mais esta propriedade se tivéssemos um material que funcione em condições mais próximas do ambiente. Por isso, cientistas buscam supercondutores à temperatura ambiente há bastante tempo, tendo entretanto resultados modestos.


Talvez estejamos mais perto dessa realidade com os estudos dos pesquisadores Yakov Kopelevich e Sérgio Moehlecke da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Estes observaram que um material, o grafite pirolítico altamente orientado, apresenta propriedades supercondutoras em pequenas regiões do material, chamadas de “grãos”.


Esta propriedade se manteve em uma grande região de temperaturas desde -271°C até 27°C. Se a descoberta for confirmada, este é o material supercondutor à mais alta temperatura. Porém os pesquisadores são cautelosos e apesar de observadas as propriedades supercondutoras, ainda não afirmam categoricamente que um supercondutor a temperatura ambiente foi encontrado.


Os resultados foram publicados em revistas de alto prestígio na área e mais estudos estão sendo feitos pelo grupo de pesquisa para confirmar definitivamente se o grafite pirolítico é de fato o que promete.


Outro problema até chegarmos em uma aplicação prática é o processo de fabricação. Este material é sintetizado industrialmente a temperaturas de cerca de 3.000°C e, além disso, submetido a altas pressões. Uma amostra de cerca de um centímetro quadrado com milímetros de espessura pode custar até U$1000,00.


Aguardemos ansiosos por mais desenvolvimentos nesta área tão fascinante. Será que chegaremos ao tão esperado supercondutor à temperatura ambiente?


Saiba mais:

[1] Supercondutor à temperatura ambiente. Revista Pesquisa FAPESP


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